1.3.10

Quando esperar é bom...

Procuro pelo meu marido em todos os cômodos do apartamento. Abro uma porta e ele está sentado em puff, sorrindo sozinho e olhando ao seu redor. "Já tem cheirinho de bebê aqui", eu digo. É o quarto do meu filho. MEU filho. Abro o guarda-roupa e lá tem minis macacões, minis calças, mini camisetas. Pensar que logo logo eles vestirão o corpo de um bebê que terá um pouco de mim, um pouco do Heitor, um pouco de seus avós, suas tias. Um ser humano com muitas heranças genéticas, mas que será único, singular, incomparável. Ele está aqui. Existe pra nós de verdade desde que ouvimos seu coraçãozinho a primeira vez. Mas agora é diferente. Tá muito perto da gente conhecer seu rostinho, tocar no seu corpinho, acordar com sua voz choramigando. Acho que caiu a ficha! Na sexta-feira, a última frase que troquei com meu marido foi : "Será esse nosso último final de semana grávidos?". Ele só sorriu. Nessa mesma sexta-feira estava indo trabalhar quando percebi que estava sendo seguida. Esperei e mudei um pouco o caminho. Um homem me aborda, me mostra uma arma e pede meu celular (que provavelmente ele já havia visto, porque sabia que era um IPHONE). Me ameaça. Fala pra eu correr e diz que se eu gritasse ou olhasse pra trás ele me "pipocaria". Saio andando o mais rápido que consigo, sem direção, chorando compulsivamente com o coração aos saltos até perceber que já havia andado umas três ou quatro ruas. E sentir dores na barriga. Aí me acalmo. Limpo meus olhos e lembro que eu não tava sozinha. Meu filho tava comigo, me protegendo, sofrendo comigo. Falo com ele que passou, passou. Estamos bem. Já em casa, choro um pouco lembrando do susto. "Meu filho, meu Miguelzinho, daqui uns dias você sairá da sua casinha quentinha e segura e virá pra esse mundão. Aqui não é o lugar que eu queria que fosse. É perigoso. Dá medo. Dói. Mas não precisa ter medo. A mamãe vai estar aqui pra te proteger sempre. E a gente vai ter sempre um ao outro pra fazer desse lugar o melhor possível, tá?". Ele mexe, mais calminho. Sentiu. Estranho pensar que tem um ser humano dentro de mim. Uma pessoa completa, com sentimentos, medos. Que reage às nossas palavras. Que reconhece a voz do pai. Que gosta das músicas que eu ouço. Durmo acariciando meu ventre. Acordo na madrugada ainda um pouco assustada pelo acontecido quando sinto um chutezinho na minha barriga. Foi como :"Ei, eu tô aqui. Lembra que a gente vai ter sempre um ao outro?". E de repente lembro que não estou mais sozinha: sou mãe!

7 comentários:

Diário de uma grávida disse...

Ai que lindo seu post...me emocionei...
Falta pouquinho, daqui a pouco Miguel estará do lado de fora...
bjs

Alethéa disse...

Me emocionei... meus sentimentos tb passam por aí... fiquem com Deus. Abraços, boa semana!

Mônica Luíza disse...

Ai que lindo Mah... Emocionante esse seu relato...
Que o Miguel seja a luz em tua vida...
=)
Amo vocês três e fico feliz por essa família que estão formando!!!
bj

Mônica Luíza disse...

Ai que lindo Mah... Emocionante esse seu relato...
Que o Miguel seja a luz em tua vida...
=)
Amo vocês três e fico feliz por essa família que estão formando!!!
bj

Edivânia disse...

É incrível como a gestação mexe com o ser humano né, eu comecei ler seu post indignada com o assalto, mas percebi que foi só um detalhe (ruim, diga-se de passagem) mas que não interferiu em nada diante de toda essa explosão de sentimentos lindos, aguardando o Guilherme, que Deus abençoe sempre a vida de vcs, guarde e protege como tem feito até hoje.
E que este bebê venha trazer muuuita alegria para esta família, quanto á isso não tenho dúvidas.

Um Beijo Grande!!

Carol Silva disse...

Me emocionei lendo seu post.. Estou louca pra ser mãe e poder sentir todos esses sentimentos que vc fala com tanto amor..
adorei teu blog!
Beijos

Helena disse...

Nossa Marilia, que coisa mais emocionante!! Vc hoje já me levou às lágrimas várias vezes, rsrsrs.
Sortudo esse Miguel, viu... Nem mesmo um mísero e reles assaltante foi capaz de diluir a maravilhosa e poderosa energia do AMOR que existe nessa família. São poucas as crianças que têm o privilégio de chegar em uma família assim.