30.11.09

Porque mãe é mãe!

É engraçado como algumas coisas que ouvimos durante a vida inteira e nem damos importância, de repente passam a fazer sentido. Quando a gente é adolescente ou jovem (me senti uma velha agora) e quer tudo e agora, ouvimos alguns sonoros “não’s” de nossos pais. Geralmente, e no meu caso, do meu pai eu ouvia “não é não e enquanto você morar debaixo do meu teto vai ser assim: eu mando e você obedece”, mas já da minha mãe eu ouvia uma série de justificativas pra aquele não, ás vezes tão sofrido, mas necessário. Minha mãe sempre falava: “no dia que você tiver filhos, vai entender que isso é para o seu bem”. Mãe é uma coisa diferente mesmo. Por mais que seja apaixonada pelo meu pai, que tenha ele como meu ídolo de infância e que ainda hoje continuo o admirando como tal, por minha mãe eu tenho uma ligação quase espiritual, umbilical eu diria. Essa frase, que tanto ouvi começa a virar realidade. É tão cíclico viver. Só quando, de fato somos mães é que passamos a entender a nossa. Estranho é ainda o fato de ser filha e também já ser mãe (sim, porque não precisamos parir pra sermos mães).É como se de repente nos tornássemos elas, nossas mães, com toda força, amor e defeito que elas têm, mas ao mesmo tempo ainda sermos indefesas e pequenas, do tamanho que certo que cabe no colo quentinho delas. Eu tenho muito mais que um exemplo pra seguir, tenho um ser inatingível de ser alcançado como modelo, alguém que nem nas minhas melhores expectativas sei que vou conseguir ser, mas sem me sentir nem um pouco frustrada por isso, porque afinal nunca tive a pretensão de ser perfeita. Algumas coisas devo admitir não descobri agora, mas é que quando nos deparamos com a responsabilidade de educar e amar um filho pro resto da vida é que paramos pra pensar como devemos dar valor nessas mulheres que nos fizeram tão forte a ponto de hoje também conseguirmos ser um pouco delas, um pouco mãe. A minha já passou uma noite acordada no sofá chorando porque eu insistia num namoro que só me fazia sofrer, mas me deu – escondido- o celular confiscado pelo meu pai pra ligar pra esse cara porque percebeu que eu precisava descobrir sozinha que estava no caminho errado. Nunca deixou um aniversário meu passar em branco porque sabe da importância disso pra mim. Já conversou com meu marido (escondido de mim), quando ainda namorávamos pra pedir pra ele não me fazer sofrer. Minha mãe quis me poupar de todo sofrimento do mundo, mesmo absorvendo isso pra ela e ao mesmo tempo me ensinou e me preparou pra vida, me ensinando, junto com meu pai que temos que lutar pelas nossas coisas, como quando só consegui 50% de bolsa na faculdade e tive que correr atrás do resto. Agora que vou me formar com um ano de atraso – conseqüência de dois semestres em que eles só pagaram os créditos obrigatórios- me vejo como uma mulher muito mais realizada, cheia de orgulho por ter bancado o curso dos meus sonhos com meu próprio esforço. Pra além daquelas definições clichês da palavra “mãe”, acho que hoje entendo seu verdadeiro significado. Vai ver ser mãe é isso, é amar sem sufocar, proteger sem fragilizar e corrigir sem machucar.É ter um bebê frágil nos braços num instante e conseguir transformá-lo anos depois num ser humano feliz, amado e forte o suficiente pra sobreviver sem você. Embora eu morra de medo de perder minha mãe (meus pais) e querer que ela viva 101 anos, eu sei que agora eu posso sozinha e mais ainda, que tenho a minha missão agora, a missão de que meu filho possa se sentir como eu me senti a vida inteira e a de que um dia ele possa olhar pra mim e pensar como eu penso hoje “não existe mãe como a minha”. Agora, cheia de medos particulares de uma mãe de primeira viagem, não consigo ainda vislumbrar esse futuro, mas assim como aquela frase, um dia vai ter sentido e quem sabe, até virar realidade.
Minha mãe grávida de mim, com quase 7 meses de gestação
Aos 26 anos e já com três filhas (eu na barriga ainda)

Hoje, nós duas mães!

5 comentários:

Verissima-online disse...

É isso aí Marilia, a maternidade nos transforma em mulheres-leoas, tu vai ver...rsrs. Minha mãe foi tão "durona" q as vezes eu pensava: (momento aborrecencia) -Acho q minha mãe ñ gosta de mim!! (momento depressão...rs) Mas realmente e literalmente precisamos ser mães para entende-las!!!

Alethéa disse...

Que linda reflexão, Marília. Tb penso desta forma: só agora consigo compreender um pouco melhor a minha mãe... abraços.

Fabiana disse...

Que história mais linda.
Sua mãe deve estar orgulhosa de vc.

Clube do Dino disse...

Segunda visitinha no blog, mas primeiro comentário :)

Linda história, dear, tem tudo para continuar no mesmo caminho.

Bjoks,

Clube do Dino

Fernanda disse...

Lila, que lindo texto! E de fato, é assim que a gente se sente quando nos tornarmos mamães...Se eu já era apaixonada pela minha antes da rafa, agora, então... e acho que vc resumiu super bem o ideal da maternidade: "...mãe é isso, é amar sem sufocar, proteger sem fragilizar e corrigir sem machucar".
É o que eu mais quero na vida!!!
Admiro muito vc! E sou fã da Tia Sandra!!!

ps.: AMEI AS FOTOS!!!